Lao Tsé, também conhecido como Lao Tzu, é um dos filósofos orientais mais conhecidos e admirados. Embora tenha vivido entre os séculos VI e V a.C., seu pensamento continua extremamente atual. Sua influência é tão grande que muitas de suas reflexões parecem ter sido escritas para os dias de hoje, como esta:
"Se você está deprimido, está vivendo no passado. Se está ansioso, está vivendo no futuro. Se está em paz, está vivendo no presente."
Essa bela frase resume décadas da psicologia moderna em apenas três sentenças. Embora não seja uma citação literal, trata-se de uma paráfrase bastante fiel ao pensamento de Lao Tsé, presente na obra "Tao Te Ching".
Em poucas palavras, a ideia é simples: a mente só consegue estar em um lugar por vez. E escolher onde sua atenção permanece é o que determina como você se sente. A verdadeira paz surge quando deixamos de nos prender ao passado e paramos de nos preocupar, de forma obsessiva, com o futuro.
O pensamento descrito por Lao Tsé há mais de 2.500 anos deixou de ser apenas uma metáfora ou um conceito poético. Hoje, ele pode ser entendido como um verdadeiro retrato do sofrimento mental.
Quando nossa mente fica presa ao passado e mergulhada na ruminação, os efeitos sobre o corpo e a saúde mental são reais. Diversos estudos já demonstraram que existe uma forte relação entre depressão e ruminação mental. Além disso, esse hábito de reviver os mesmos pensamentos aumenta o risco de desenvolver depressão e outros transtornos psicológicos.
Nosso cérebro revive repetidamente erros, perdas e situações que gostaríamos que tivessem sido diferentes.
Ao falar sobre o futuro, Lao Tsé se refere à ansiedade criada pela mente ao tentar resolver problemas que sequer aconteceram. O cérebro constrói cenários catastróficos na tentativa de nos preparar, mas acaba entrando em um ciclo interminável que consome energia sem oferecer uma solução concreta. O resultado é apenas mais estresse.
Já uma mente ancorada no presente encontra paz. É justamente nesse ponto que taoismo, budismo, estoicismo e a psicologia contemporânea convergem: o presente é o único momento em que realmente podemos agir.
Não é possível mudar o passado nem controlar o futuro, mas é possível decidir o que fazer agora. Quando essa ideia é compreendida e colocada em prática, a mente naturalmente desacelera.
Para entender esse pensamento sob a perspectiva do taoismo de Lao Tsé, primeiro é preciso compreender o que significa o Tao. Ele representa o fluxo natural e imprevisível da realidade. Geralmente traduzido como "o caminho", ele simboliza a ordem natural do universo.
Embora Lao Tsé não fale diretamente sobre passado, presente e futuro, ele ensina que resistir às mudanças é uma das maiores fontes de sofrimento. Para ele, a vida está em constante movimento.
"O Tao é como a água que flui. Onde há espaço, ela preenche. Onde encontra obstáculos, ela se adapta."
Segundo o taoismo, a vida é composta por mudanças espontâneas e naturais.
"Não resista a elas. Isso apenas gera sofrimento. Deixe que a realidade seja simplesmente a realidade."
Se você se prende ao passado ou ao futuro, perde o presente. E quando resiste ao Tao, o sofrimento aparece. Em um dos versos do "Tao Te Ching", o filósofo afirma:
"Quem se apega, perde. Quem não se apega, possui."
Essa ideia dialoga diretamente com a compreensão atual de que a ansiedade nasce da tentativa de controlar o futuro, enquanto a depressão muitas vezes está ligada ao desejo de manter vivo aquilo que já passou.
Ao nos agarrarmos aos dois extremos, acabamos perdendo o único momento que realmente existe: o agora.
Por outro lado, a paz surge quando nos alinhamos ao fluxo natural da realidade, como ensina o taoismo. Nos dias atuais, essa visão se aproxima bastante das práticas de mindfulness e atenção plena, pois incentiva viver plenamente o presente, deixar o passado para trás e não antecipar um futuro que ainda nem chegou.
Mesmo passados mais de dois mil anos, essa filosofia continua extremamente atual. Comece com algo simples: identifique onde sua mente está neste exato momento.
Sempre que perceber um desconforto emocional, pergunte a si mesmo:
"Estou pensando em algo que já aconteceu ou em algo que ainda nem aconteceu?"
Essa simples observação já é suficiente para interromper o ciclo automático dos pensamentos e trazer sua atenção de volta ao Tao, ou seja, ao momento presente.
Refletir sobre o passado pode ser útil quando existe um aprendizado. Mas, se você passa mais de dois minutos preso exatamente ao mesmo pensamento sem chegar a uma nova conclusão, isso provavelmente é ruminação mental. Nesses casos, vale recorrer a estratégias que ajudam a interromper esse ciclo.
Já se o problema é viver constantemente preocupado com o futuro, os estoicos oferecem um conselho prático: pergunte a si mesmo se existe alguma ação concreta que você possa realizar agora.
Se a resposta for sim, faça. Se a resposta for não, preocupe-se menos. Afinal, nesse momento, a preocupação não está resolvendo absolutamente nada. Ela apenas está consumindo sua energia.